 Tratamento
e reúso da água foi o tema do 6o encontro do Ciclo de Debates
“Repensando o desenvolvimento frente às fragilidades ambientais”,
promovido pela seção gaúcha da
Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental
(ABES-RS), no auditório da Fundação Getúlio
Vargas, em Porto Alegre, com a presença de 110 pessoas, entre profissionais
e estudantes da área. O painel – que recebeu o subtítulo
“Reflexões sobre modelos alternativos de uso dos recursos
naturais: a questão do tratamento e reúso da água”
– teve a participação da bióloga Maria Mercedes
Bendati, do engenheiro Márcio Rosa Rodrigues de Freitas e do engenheiro
Luiz Antônio Timm Grassi, como debatedor, todos associados da ABES-RS.
Os painelistas enfocaram
a questão da água desde a água bruta até o
tratamento e a distribuição, relacionando água com
saúde, prevenção de doenças, preservação
ambiental e aspectos culturais e econômicos. Segundo a coordenadora
do encontro, engenheira Nanci Begnini Giugno, a questão do tratamento
e reúso da água é um assunto que diz respeito a todas
as pessoas. Ela afirmou que embora se ouça muito falar sobre o
tema, pouca atenção se dá aos reais fundamentos da
questão e tampouco se avalia os interesses econômicos existentes
e não expressos. “Justamente por isso, a ABES-RS procurou
reunir três profissionais com grande experiência para falar
sobre o tema”, informou a engenheira.
Maria Mercedes Bendati fez
uma explanação sobre a distribuição da água
na natureza, como ela ocorre de forma irregular no planeta (muitas vezes,
onde há menos água há mais população
e vice-versa) e como países ditos de primeiro mundo consomem mais
água que os demais. Explicou também que a distribuição
da água depende da cultura de cada nação e de aspectos
agrícolas e industriais. E reafirmou que a questão da água
está ligada à questão da saúde pública,
vendo-se a saúde não apenas como a ausência de doenças,
mas também como o acesso aos recursos para uma vida segura e saudável,
respeitando o meio ambiente.
Márcio Rosa Rodrigues
de Freitas trouxe uma série de questionamentos na abordagem do
abastecimento público de água. Falou sobre o quanto de energia
(recursos humanos e financeiros) é investido para tratar e disponibilizar
determinada quantidade de água, sendo que apenas uma parcela muito
pequena dessa água tratada vai ser usada como água potável.
A maior parte da água tratada vira esgoto, muitas vezes, no mesmo
instante em que é recebida. Portanto, é preciso pensar seriamente
sobre esse ciclo, que acaba penalizando toda a sociedade.
 Luiz
Antônio Timm Grassi, ao se referir à intervenção
dos painelistas, apresentou outras questões drásticas, inclusive
comparando a água ao petróleo e afirmando que, sendo a água
um bem de valor imenso, como cidadãos, precisamos estar atentos.
O engenheiro chamou atenção para o fato de que, indiretamente,
o Brasil já está exportando água, através
dos alimentos, da polpa do papel e de outros produtos que produz e vende.
Ele ressaltou ainda que não se pode esquecer que a água
é um bem público e, portanto, sua gestão deve ser
pública, requerendo políticas no sentido mais amplo da palavra.
Os encontros do Ciclo de
Debates “Repensando o desenvolvimento frente às fragilidades
ambientais”, são mensais, e o deste mês coincidiu com
a celebração da XV Semana Interamericana da Água
e VIII Semana Estadual da Água (de 27 de setembro a 4 de outubro),
sendo encerrado com uma saudação do presidente da ABES-RS,
o químico Geraldo Portanova Leal.
O sétimo e o oitavo
encontros da série vão abordar novas formas de enfrentar
as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável,
passando pela gestão integrada, revisão de padrões
tecnológicos e por mudanças de comportamento da sociedade.
No último encontro serão ainda apresentadas experiências
bem sucedidas nessa área (cases). As inscrições são
gratuitas. |