O Ciclo de Debates "Repensando
o Desenvolvimento frente às Fragilidades Ambientais", promoção
da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária
e Ambiental, sessão Rio Grande do Sul, discutirá, no próximo
dia 01 de outubro, o tema "Reflexões sobre Modelos Alternativos
de Uso dos Recursos Naturais: a questão do tratamento e reuso da
Água". A programação inicia às 8h30
na Fundação Getúlio Vargas - FGV (Avenida Praia de
Belas 1510, Bairro Praia de Belas, Porto Alegre) e integra a programação
oficial da 8ª Semana Estadual da Água.
Este será o 6º
encontro do Ciclo, dentro do qual estão previstos mais dois painelistas
e um debatedor. No encontro anterior, realizado no dia 1º de setembro,
o tema central foi "Mudanças Climáticas: previsões
sobre o Brasil, o que nos cabe fazer?". Os convidados foram o
oceanólogo Ronald Buss de Souza, chefe do Serviço do Projeto
Antártico do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE) no
Centro Regional Sul em Santa Maria, o glaciologista Jefferson Cardia Simões,
professor do Instituto de Geociências da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador da participação
brasileira no programa International Trans-Antarctic Scientific Expedition
(ITASE). A debatedora foi a Pesquisadora Margareth da Silva Copertino,
do Programa de Pós-Graduação em Educação
Ambiental Fundação Universidade Federal de Rio Grande (FURG).
Mudanças ambientais globais
A expressão,
usada pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas
(IPCC), denomina as transformações pelas quais o clima da
Terra está passando, fruto da ação do homem, evidências
facilmente percebidas quando analisa-se a variabilidade climática
em séries históricas. Estas séries mostram que, por
exemplo, até o século 19, o aumento da temperatura vinha
antes do aumento de gases estufa na atmosfera, ou seja, uma temperatura
mais alta é o que ocasionava maior concentração desses
gases. O processo se inverteu após a Revolução Industrial
e as medições dos últimos 200 anos não deixam
mais dúvida de que a atividade humana baseada em opções
de muito impacto, hoje conhecidas, influenciou o cenário de mudanças
climáticas, que tende a se intensificar.
O glaciólogo Jefferson
Cardia Simões, da UFRGS, ressaltou a necessidade de regionalização
dos quadros gerais do IPCC, um passo importante para entendimento do problema
das mudanças climáticas e construção de propostas
de adaptação e enfrentamento. O professor falou da urgência
de um olhar apurado sobre a variabilidade climática regional, identificando
as interferências da atividade humana nas alterações
verificadas: "Nós não podemos ter cenários de
previsão sem conhecer a história e a história do
clima no Rio Grande do Sul ainda é muito limitada" - explicou.
Simões defendeu,
ainda, a incorporação das questões climáticas
no planejamento estratégico, pois, segundo ele, sem considerar
as mudanças não se faz política pública para
agricultura, saúde e meio ambiente. Além da argumentação
em torno da necessidade de pesquisa, o cientista criticou a abordagem
das mudanças climáticas por um viés de catástrofe
imediata, afirmando que as evidências pedem um alerta, mas não
neste sentido. Lembrou, também, que a simplificação
da abordagem tem dado margem ao uso da questão por companhias empresariais,
por exemplo. Um exemplo é o marketing verde e os falsos discursos
do carbono zero, que tiram a real dimensão do problema e a necessidade
da sua discussão do ponto de vista político e de opção
enquanto sociedade.
A importância da região
Antártica e dos oceanos na definição do clima no
estado foi o principal ponto destacado pelos painelistas. O oceanólogo
Ronald Buss de Souza, do Centro Regional Sul de Pesquisas Espaciais do
INPE, lembrou que uma série de atividades econômicas, como
a pesca, depende das variações naturais do oceano e de como
o oceano está mudando conforme o impacto da atividade humana. Por
isso, disse ele, é preciso entender o oceano como grande transportador,
e as suas relações com a atmosfera.
O Centro Regional do INPE,
em Santa Maria, terá importante papel na produção
de dados científicos diretamente para os públicos da região
Sul, descentralizando as informações climáticas e
de investigação dos impactos do continente, da atmosfera
e do oceano antártico no clima das regiões sul e sudeste
do Brasil.
A participação
dos pesquisadores no Ciclo de Debates "Repensando o Desenvolvimento
frente às Fragilidades Ambientais", teve a mediação
da professora Margareth Copertino, da Fundação Universidade
de Rio Grande (FURG), que salientou a importância de um olhar integrador,
promovido pela educação ambiental, para modificação
dos comportamentos e promoção das soluções
diante do cenário de mudanças climáticas.
Inscrições no evento
A participação
no 6º encontro do Ciclo de Debates "Repensando o Desenvolvimento
frente às Fragilidades Ambientais" é gratuita e pode
ser confirmada pelo e-mail: abes-rs@abes-rs.org.br.
As informações referentes ao nome e currículo dos
painelistas e do debatedor poderão ser obtidos no site da ABES-RS:
http://www.abes-rs.org.br,
tão logo estejam confirmados.
O evento destina-se a técnicos,
administradores, jornalistas do setor público e privado, estudantes
de graduação e pós-graduação, integrantes
de organizações não-governamentais, participantes
de conselhos, comitês e câmaras técnicas de saneamento,
meio-ambiente, recursos hídricos e planos diretores municipais,
que tenham relação com as questões ambientais e de
desenvolvimento urbano e regional. |