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Preocupação com o futuro da água no Brasil norteia evento da Abes-RS

15/07/2015

A importância de investimentos em controles de perdas e vazamentos de água foi apresentada e destacada por diversos profissionais da área do saneamento brasileiro no fechamento do 1º Seminário Nacional de Gestão e Controle de Perdas de Água. Diferentes equipamentos, sistemas e projetos foram apresentados na terça-feira (14/07), segundo dia do evento, que foi organizado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental - Seção Rio Grande do Sul (Abes-RS).

O diretor técnico da Corsan, Antonio Gomes, foi o coordenador do painel "Materiais e equipamentos para o controle de perdas" e ressaltou o aumento da preocupação com as perdas de recursos hídricos nos últimos anos, devido ao maior conhecimento da população em virtude da crise hídrica da região Sudeste do país.

- O aumento da preocupação das perdas vem da necessidade de recursos do sistema de saneamento. Nosso medo é de um dia não termos mais água para o consumo humano. A Corsan está, há bastante tempo, preocupada com a questão. Dados mostram que nossa empresa tem 37% de perda. Queremos diminuir em 14%, pelo menos, essa perda nos próximos anos - afirmou Antonio Gomes.

O engenheiro civil e coordenador de Manutenção de Adutoras do DMAE, Adinaldo Soares de Fraga, mostrou a rede de abastecimento de Porto Alegre e quais são os principais motivos para os vazamentos na rede. Porto Alegre possui extensão de rede de 4 mil quilômetros, 6 estações de bombeamento de água bruta, 6 estações de Tratamento de Água e 89 estações de bombeamento de água tratada. São 101 reservatórios com capacidade de reserva de 206 mil metros cúbicos. Assim, o Dmae atende 100% da população da cidade.

- A idade da rede não tem relação com os problemas nas redes de abastecimento. Temos instalações antigas que nunca incomodam. O tipo de solo e a qualidade da mão de obra para a instalação são mais importantes do que o tempo. O que está faltando é o engenheiro sujar as calças com barro e de cloro. Nossos colegas têm que amassar mais barro na rua. Por conta da gestão, estamos atrelados a documentos. Claro que isso é importante, mas muitos profissionais estão presos nas mesas e no ar condicionado e perdendo trabalho de campo. Falta operacionalidade e falta assumir o papel de protagonista nas ruas também - disse.

A necessidade de controle das perdas de água foi trazida pelo engenheiro eletricista e representante da Coester Soluções Inovadoras em Automação, Regis Veit Somensi. De acordo com o engenheiro, as malhas dos ciclos de água são muito extensas, com muitas tubulações. Estes projetos são feitos para durar muitos anos. Por isso, é essencial apresentar controles de fluxo, de pressão e de vazão. O engenheiro também apresentou casos de sucesso de instalações realizadas na Sabesp, em São Paulo, na ETA Pirapama, no Recife, e no ETE Serraria, em Porto Alegre.

- Automatizando as etapas, temos como visualizar, através de uma sala de comando. Assim, podemos tornar as ações mais rápidas. Os casos mostram muitos benefícios. A automação diminui a necessidade de deslocamento, reduz o número de equipes, reduz o tempo de acionamento de válvula, tem a possibilidade de identificar e isolar geograficamente para minimizar transtornos - demonstrou Regis Veit Somensi.

O engenheiro eletricista, sócio proprietário das empresas Lamon Produtos Ltda. e Isoil Lamon, Gustavo Lamon, lembrou que 81% da população têm água potável. As regiões com menos acesso à água são a Norte e a Nordeste do país. Já a região com mais gasto é a Sudeste. Para diminuir as perdas e melhorar a distribuição, o controle é uma das soluções.

- A estimativa é que aproximadamente 37% da água seja perdida. Porém, muitas empresas nem realizam controles. Então não podemos apenas acreditar nesses dados sem debater a forma de medição. Temos a necessidade de investir em tecnologias e formas de medição - destacou Gustavo Lamon.

A engenheira assistente técnica do diretor operacional do DMAE, Rosane Coimbra, coordenou o painel "Gestão operacional no controle de perdas". Segundo ela, o DMAE trabalha com a questão das perdas de água dentro do planejamento estratégico do departamento.

A preocupação com o futuro foi tema da palestra do engenheiro químico e diretor de Operações da Corsan, Eduardo Barbosa Carvalho. Ele apresentou o caso do Centro de Controle de Operações de Canoas. Na cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre, os números positivos dos últimos anos animam a Corsan e possibilitam um planejamento mais abrangente e eficaz.

- O futuro pode não chegar se o presente não for bem cuidado. A questão do saneamento no Brasil é histórica. Temos que trabalhar para evitar consertos e vazamentos frequentes. É fundamental que o reparo ocorra o quanto antes. Apresentamos redução de energia elétrica, de reclamações, de vazamentos. Só para ter uma ideia, em 2010 eram 170 serviços pendentes, hoje não passam de cinco serviços pendentes. Em outras cidades, 41% das reclamações são por falta de água. Hoje, em Canoas, essas reclamações não passam de 20% - salientou Eduardo Barbosa Carvalho.

O engenheiro civil e professor titular da Universidade Federal do Ceará, Marco Aurélio Holanda de Castro, conversou com os presentes sobre a importância de controlar todo processo de abastecimento para melhorar a distribuição de água. Ele lembrou que, quando perdemos energia desnecessariamente, perdemos massa também. Quando perde energia, gasta mais massa de água na hidrelétrica.

- Só controla e economiza o que você conhece. O grande problema das companhias de saneamento no Brasil é que muitas não conhecem as redes e os sistemas que têm. Como vai controlar ser conhecer? - alertou Marco Aurélio Holanda de Castro.

O engenheiro Mário Augusto Bággio falou sobre a gestão e administração das empresas de saneamento.

- As organizações muitas vezes têm muita facilidade em planejar, mas nem sempre têm capacidade de executar o planejado. Muitos gestores não sabem mais de onde a água vem ou pra onde ela vai. Esse gestor precisa colocar suas botas e voltar ao barro, ao operacional - ressaltou Mário Augusto Bággio.

Com mais de 200 presentes nos dois dias do evento, o 1º Seminário Nacional de Gestão e Controle de Perdas de Água encerrou na terça-feira (14/07). Segundo o coordenador da Câmara Técnica de Gestão de Perdas da Abes-RS e organizador da capacitação, Ricardo Rover Machado, o sucesso do evento ocorreu devido aos debates direcionados aos problemas frequentes em todas as empresas de saneamento.

- O resultado positivo ocorreu por conta da comissão organizadora, que escolheu com muito carinho os assuntos. Aqui foram debatidos os trabalhos de todos. Sabemos que aqui somos todos irmãos e enfrentamentos adversidades parecidas nas nossas rotinas. A questão das perdas nos deixa indignados. Por isso, buscamos trabalhar conjuntamente uma solução - avaliou Ricardo Rover Machado.

Encerrando o evento, Ricardo Rover coordenou a elaboração de um documento que vai ser entregue no 28º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, da Abes Nacional, apresentando propostas para o segmento. O evento ocorre entre 4 e 8 de outubro no Rio de Janeiro.

O 1º Seminário Nacional de Gestão e Controle de Perdas de Água foi organizado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental - Seção Rio Grande do Sul (Abes-RS). O evento aconteceu no Salão Piratini do Hotel Continental, em Porto Alegre (RS) nos dias 13 e 14 de julho.