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Especialistas cobram que Plano de Segurança da Água seja tratado como prioridade em saúde pública

03/12/2015

IV Diálogos do Saneamento reuniu especialistas na área em Porto Alegre (RS) nesta quarta-feira (02/12)

Em tom de alerta, especialistas debateram o Plano de Segurança da Água ressaltando que as medidas cumprem importante papel ambiental e social, mas devem ser também priorizadas como ações de saúde pública. O representante do Ministério da Saúde, Daniel Cobucci, falou sobre mudança de paradigmas ao longo das últimas décadas passando do controle do produto final para gestão preventiva do risco. Também ressaltou a importância de trabalhar a conscientização da população.

- O Plano de Segurança da Água tem o objetivo de controlar a poluição das fontes de água, otimizar a remoção ou inativação de contaminantes durante o tratamento e evitar a contaminação durante o armazenamento, distribuição e consumo. Porém, é importante trabalhar com a participação da comunidade, por mais que saibamos que isso exige um grande esforço. Não adianta fornecer água 100% potável e depois haver a contaminação na caixa de água - disse.

Durante sua abordagem o professor da UFRGS, Dieter Wartchow, alertou que o Plano de Segurança da Água fala em método de gerenciamento de riscos ambientais, mas não aborda o tema como saúde pública.

- Temos uma rede de monitoramento, mas estamos no século XXI e precisamos desenvolver novas tecnologias. A tecnologia da informação deve nos auxiliar para termos dados em tempo real como já existem em diversas partes do mundo - comentou.

O palestrante também chamou a atenção para necessidade de substitução de tubulações de água de modo que assegurem a qualidade da água. Ainda foram lembrados pelos participantes casos de doenças transmitidas pelo mosquito como a Dengue e, mais recentemente, a Febre Chikungunya e o Zika Vírus. Em todos os casos, há influência da condição de armazenamento da água que servem como elemento multiplicador do mosquito transmissor.

Na abertura do encontro, o presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental seção Rio Grande do Sul (Abes-RS), Alexandre Bugin alertou para a importância do debate do diante do cenário atual.

- Cada vez mais estamos suscetíveis a falta de água e somado a isso infelizmente vemos acidentes como o ocorrido em Minas Gerais. As discussões são iniciais e teremos desdobramentos nesse assunto no ano que vem. A intenção da ABES-RS é no Simpósio Internacional 2016 abordar de forma muio profunda essa discussão, até porque servirá como um balanço para ver o que foi feito em relação ao acidente que terá transcorrido um ano - afirmou.

Durante a parte da tarde a palestrante Ellen Martha Pritsch, falou sobre normas técnicas em vigor. Após, uma mesa redonda proporcionou debates entre os convidados com os palestrantes. Participaram o diretor técnico da Corsan, Eduardo Carvalho que abordou o tema de como as empresas de saneamento estão se organizando com seus planos de segurança da água. Também participaram dos debates o diretor de tratamento e meio ambiente, Marcelo Gil Faccin; o coordenador de desenvolvimento operacional da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Fuad Moura Guimarães Braga e a representante da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Rosângela Cássia Martins de Carvalho.

O IV DIálogos do Saneamento é uma realização da Abes-RS, co-realização do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS). Apoio Sindicato dos Engenheiros do Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (SENGE-RS), DMAE, Prefeitura de Porto Alegre, Corsan e Governo do Estado do Rio Grande do Sul.