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Gestão de Perdas de Água é pauta de reunião com empresas de saneamento do RS

29/01/2015

A escassez de chuva, especialmente na região sudeste do Brasil, tem trazido à tona a pauta da falta d’água. Pensando em melhorias para combater as perdas e qualificar a gestão da distribuição e a medição da água, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES-RS) promoveu a 3ª Reunião da Câmara Técnica de Gestão de Perdas, na manhã dessa terça-feira (27/01), em Canoas.

Conforme um dos palestrantes, o engenheiro hidráulico Mário Augusto Bággio, as perdas ocorrem de três formas.

- Problemas na rede que ocasionam vazamentos, ligações clandestinas e também por problemas de gestão - explica.

Apesar da legislação sobre o assunto ter mais de 30 anos, a discussão sobre gestão de perdas retornou à pauta em todo Brasil, conforme Bággio. Para ele, este debate é fundamental para que haja uma revolução cultural em que as pessoas se conscientizem sobre o desperdício em casa e que as companhias tenham o assunto como prioridade.

- É necessário investir em programas consistentes de combate às perdas. Apesar de haver recursos públicos disponíveis para isso, devem haver projetos para captá-los. Trabalhar com perdas significa reduzir enormes prejuízos ambientais, sociais e financeiros ao país - analisa.

Um dos meios de aprimorar a gestão no combate às perdas é o uso de tecnologias na medição de vazão, pressão e nível de água. A partir dos resultados obtidos na medição é que são tomadas as decisões na distribuição do recurso natural para a população.

O segundo palestrante, o engenheiro Gustavo Lamon, falou sobre instrumentos e inovações na medição.

- Não existe medição com erro zero, o mínimo é 5%. Como vamos controlar perdas se vamos calcular o que foi produzido e o que foi consumido com essas margens? - questionou o palestrante alertando para as incertezas nos índices divulgados.

Lamon ainda ponderou sobre as limitações de cada equipamento utilizado pelas empresas de saneamento e que é importante avaliar qual o melhor a ser usado em cada situação para diminuir a margem de erro.

- Por isso a necessidade de investir em capacitação do corpo técnico para diminuir as falhas. Este debate, por exemplo, já demonstra o empenho da ABES em sempre buscar atualização das tecnologias, metodologias e processos. Isso faz toda a diferença na redução das perdas e na melhoria da gestão na distribuição da água - considera.

Após as duas palestras, foi realizada uma visita técnica ao Centro de Controle Operacional da Corsan Canoas. O Centro tem 60 pontos de monitoramento de pressões na rede e diversos sensores para monitorar níveis de reservatórios, estações de bombeamento e parâmetros de potabilidade da água.

Estiveram presentes na reunião 53 engenheiros e técnicos representantes da CORSAN (Estado do RS), DMAE (Porto Alegre), SEMAE (São Leopoldo), SANEP (Pelotas), FELUC (Pelotas) e profissionais da iniciativa privada interessados no assunto.