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A boa gestão de áreas contaminadas é fundamental para preservar o ambiente

13/11/2015

Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental - Seção Rio Grande do Sul (Abes-RS) promoveu seminário para debater rumos e novas tecnologias ligados ao tema

Profissionais, entidades e empresas ligados ao meio ambiente estiveram reunidos, durante dois dias, no Hotel Continental, em Porto Alegre, discutindo a gestão de áreas contaminadas no Brasil. Promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental - Seção Rio Grande do Sul (Abes-RS), o III Seminário Sul-Brasileiro de Gerenciamento de Áreas Contaminadas teve casa lotada para debater rumos e novas tecnologias ligados ao tema.

Na abertura do segundo dia do evento, o presidente da Abes-RS, Alexandre Bugin, destacou a importância da discussão da gestão de áreas contaminadas. Segundo ele, a iniciativa se tornou fundamental, na medida em que o tema é pouco abordado no país.

- Precisamos avançar na melhoria do processo técnico, e tentar unificar o gerenciamento de áreas contaminadas, uma vez que, hoje, existe diferenciação no tratamento do tema por estados e municípios, especialmente no que se refere ao licenciamento ambiental - afirmou Bugin.

Analista de Infraestrutura do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a engenheira civil Maria Luiza Fontenele Schloegl, mostrou um panorama atual e os rumos da gestão de áreas contaminadas no Brasil. Ela destacou a política nacional de resíduos sólidos e as medidas que estão sendo tomadas para otimizar o suporte aos municípios, visando o correto gerenciamento das áreas contaminadas.

- Nós pretendemos fazer um mapeamento dos lixões existentes no país. Para nós é muito claro que falta aos municípios um conhecimento maior para promover o correto tratamento dos materiais perigosos - enfatizou a representante do MMA.

Na avaliação de Maria Luiza Fontenele Schloegl, a política nacional de resíduos sólidos é bastante atual e contém instrumentos importantes para permitir o avanço necessário ao Brasil no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos.

No entanto, hoje, apenas um pouco mais da metade dos resíduos sólidos urbanos coletados no Brasil já tem disposição final ambientalmente adequada, em aterros sanitários.

- Por isso, é importante que estados e municípios trabalhem forte na elaboração de projetos de gestão de resíduos sólidos. Isso vai viabilizar um maior cuidado com a preservação ambiental e eliminar lixões que causam muitos danos à saúde das pessoas e do meio ambiente - salientou Maria Schloegl.

O segundo painel do dia, com o tema "Tecnologias para investigação de áreas com potencial de contaminação", reuniu o consultor sênior da CGAGEO Meio Ambiente e Geologia, Rubens de Oliveira Jr; o engenheiro de recursos hídricos da Finkler Ambiental, Carlos César Malta de Oliveira; o geólogo e membro participante do Grupo Nicole Brasil, José Carlos Rocha Gouvêa Júnior; e o geólogo da Geoklock Consultoria Ambiental e Engenharia, Victor Sewaybricker, com moderação do doutor em Biociências da UFRGS, Pedro Viero.

Rubens Oliveira Jr destacou a importância da utilização de investigação ambiental em alta resolução que a partir do uso de escalas adequadas de medições e na densidade de amostragem, podem definir, com mais certeza, a distribuição de contaminantes e o contexto físico do local, o que possibilita uma ação de descontaminação mais rápida e eficaz. Segundo ele, os principais atributos da alta definição são o detalhamento do site, conseguindo capturar com maior eficiência as heterogeneidades da área atingida, a redução de incertezas, e a compatibilidade com as melhores práticas de gestão(BMP).

Responsável por conduzir os serviços de investigação em alta resolução com MPI e HPT na Finkler Ambiental, o engenheiro de recursos hídricos Carlos César Malta de Oliveira falou que essa técnica traz uma perspectiva mais clara e certificada da análise ambiental.

- Primamos pelo estabelecimento do modelo conceitual como base para realizar as investigações, sejam elas em caráter preliminar, confirmatório ou detalhado - salientou Carlos César.

José Carlos Rocha Gouvêa, falou sobre o processo de migração de compostos químicos voláteis a partir de uma fonte subsuperficial para o interior das construções existentes na superfície, conhecido como intrusão de vapores (IV).

Segundo ele, os compostos químicos voláteis presentes no solo e na água subterrânea contaminada podem emanar vapores, que possuem potencial para migrar através da coluna de solo subsuperficial e, através de trincas, fraturas e descontinuidades eventualmente existentes nas fundações, atingir os ambientes internos, alterando a qualidade do ar no local. Em casos extremos, os vapores acumulados no interior dos ambientes podem representar riscos eminentes, como por exemplo, o de explosão.

Sobre o Grupo Nicola Brasil, Gouvêa salientou que ele busca disseminar conhecimento técnico e científico sobre remediação de áreas contaminadas, tecnologias alternativas e assuntos correlatos.

Na última explanação do painel, o geólogo Victor Sewaybricker, da Geoklock Consultoria Ambiental e Engenharia, destacou alguns casos em que a empresa atuou com mapeamento tridimensional e probabilístico de DNPAL.

Para Victor, a determinação mais precisa dos riscos ambientais decorrentes de uma área contaminada, assim como a eficácia de um sistema de remediação durante a sua etapa de operação, dependem de maneira fundamental da prévia realização de uma precisa investigação detalhada da contaminação no solo e na água subterrânea. Hoje, o mapeamento da vulnerabilidade de aquíferos é um dos principais mecanismos gerenciais adotado na avaliação do risco de contaminação da água subterrânea.

Remediação de áreas contaminadas

O turno da tarde teve como primeiro painel a discussão a respeito de tecnologias para remediação de áreas contaminadas. Foram palestrantes o diretor da Edutech e da Rentaltech Ambiental, Marcos Sillos; o engenheiro químico da Peroxichem Brasil, Cláudio Paulino Rodriguez; a doutora em biotecnologia e integrante do Grupo Nicole Brasil, Alessandra Argôlo Carvalho; e a engenheira ambiental Marcia Faermann, da ERM Brasil. O coordenador do painel foi o pesquisador da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e doutor em Geociências, Eduardo Samberg.

Os painelistas trataram, em síntese, da necessidade de realizar o estudo e a remediação de áreas contaminadas, especialmente nos casos em que ocorreu a contaminação do solo. Quando isso não ocorre imediatamente após a detecção do problema, a poluição no local tende a se agravar e tornar-se muito séria, durando décadas e atingindo lençóis feráticos, águas subterrâneas e poços artesianos, colocando em risco a saúde das pessoas que vivem nas proximidades e afetando o meio ambiente.

Finalizando o seminário, foram apresentados estudos de casos à remediação de áreas contaminadas. A engenheira Ana Claudia Guimarães, da Enfil Controle Ambiental, falou sobre o trabalho em torno da destinação do sedimento dragado da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. Já o representante do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alexandre Maximiliano, abordou o tema gerenciamento de áreas contaminadas em postos de serviços, falando de seus desafios e demandas do mercado. Finalizando os trabalhos, coube ao engenheiro químico Gustavo de Mello, da Ramboll Environ, palestrar sobre o gerenciamento de áreas contaminadas por metais.

E assim terminaram os dois dias de intenso debate a respeito do gerenciamento de áreas contaminadas, na busca pelo amadurecimento do tema no Brasil. A grande presença de profissionais durante o evento, cerca de 600 pessoas, nos dois dias, mostra que existe a necessidade de se aprofundar a discussão e a implementação da boa gestão sobre o assunto, contribuindo para a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida da população.